(Na foto acima, um flagrante de Perseu em um dos seus estranhos hábitos: esconder-se no alto da chaminé do vizinho em dias de chuva) - Foto: Acervo Pessoal / 2000)
terça-feira, 25 de março de 2008
Um amigo chamado Perseu!
(Na foto acima, um flagrante de Perseu em um dos seus estranhos hábitos: esconder-se no alto da chaminé do vizinho em dias de chuva) - Foto: Acervo Pessoal / 2000)
Projeto "O Monóculo"
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Carnaval Paralelo: Samba de Raiz

2:00 hs.
Obviamente ainda não dormi.
Carnaval, sabe como é? Olhos abertos madrugada a fora...
Porém amigo leitor, para espanto geral da nação,
neste carnaval 2008, com alguns meneios de cabeça esquivei-me
cheio de estilo das propostas indecentes de viagens indígenas
no período momesco a qualquer canto encravado nas
aprazíveis Costa Verde ou Regiãos dos Lagos. Escapei ainda de um carnaval "Sen-sa-cio-nal" em Salvador...
Que me perdoe o mano Brown aí em cima, mas dá pra chegar no Rio Vermelho só em abril ou maio, quando visitar aquele paraíso é muito mais interessante e tranquilo?
Podem me imaginar naquela multidão a gritar "Olha o Asa aê"?
Bom, confesso que quase aconteceu também uma viagem cheia de romance à Porto Alegre.
Bah Tri-legal, mas abençoado pela conspiração universal ao ficar em casa, acabei por mergulhar mais fundo em minhas pesquisas sobre música nesse imenso e impressionante mar virtual.
E eis que acabo de encontrar um fabuloso manancial de mp3
de samba tradicional - ou de raiz, como queiram.
O Blog Cápsula da Cultura traz um formidável balaio de sugestões e links para o que há de melhor do nosso samba de terreiro.
Lá encontrei álbuns inteiros de Candeia, Mano Décio da Viola, Walter Alfaiate, Monarco, Nelson Sargento, Ney Lopes, Casquinha e tantos outros, além é claro, de pérolas preciosíssimas de gente do quilate de Paulinho da Viola, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, João Nogueira e Beth Carvalho.
Tenho que parabenizar o dono do blog, pois só com muita paixão e perseverança é possivel oferecer aquele baú de tesouros...
Terça de madrugada. Procuro notícias de carnaval...
Meu Império Serrano "estraçalhou" na avenida na sexta feira.
Para quem no ano passado era uma das candidatas ao título e surpreendentemente foi rebaixada parece que provou que a mística da verde e branco de Madureira não morre jamais!
"Imperiano de fé não cansa", já dizia a canção!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Viajante
Vi pegadas.
E uma após outra,
lá estava eu
a seguir tua assinatura
na terra molhada
daquela primavera doce
qual flor de cacau.
No meu espanto
ao ver
a pegada derradeira,
ergui meu olhar
ante a jardineira
de tua janela.
Você,
que ali de posse
de risada cândida,
cantava feliz
por minha alma...
lânguida,
que enfim
ancorava junto à tua.
E sem preço,
sem óbolo ou fatura,
descansei em teus véus
de doçura,
e me perdi nas curvas
que fazem de mim
um eterno viajante.
(Publicado em 04/01/2008)
As Horas
meu olhar aprendeu
- confesso à fórceps,
que não é que capaz
de deter as horas.
Essas doidivanas que,
em minhas primaveras
insistem em descompassar
a minha espera
por um urro aflito
do telefone.
E ante ao bule
de café adormecido
e frio,
sigo a praguejar
um amanhã vazio
ou quiçá,
uma eternidade assim.
Prazo vencido,
as esquinas
se reapresentam
como portadoras
de minhas dores
menos agudas.
E ali permaneço...
Anoiteço...
Esmoreço...
E o recomeço,
é o fingir
não lembrar
do ontem...
e tampouco
de anteontem.
--
.
.
.
Anderson Julio Lobone
Ordálio
quis em vão,
me ausentar
do teu mundo.
Qual um eremita,
mergulhar no deserto
da minha alma
frágil e sem calma.
Todavia,
desta feita,
como num ordálio
previsível e sombrio,
tua voz me inundou
em ondas fatais,
e tuas mãos,
hoje calejadas,
tocaram leves...
meu sorriso
guardado em caixa
de papel crepom.
Heroína e vilã,
eis me outra vez
aos teus pés.
Rapapés à ti...
E minhas juras
de volta aqui.
Meu pedido,
em tom dolorido:
Cuide do teu refém,
ou o deixe...
à outrem.
(Publicado em 04/01/2008)
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Livro "Murmurando Ventos" é lançado.
Queridos amigos...Depois de um longo período de negociações e entraves jurídicos
finalmente meu livro "Murmurando Ventos" foi lançado pelo selo
do Projeto Fazendo Livros.
Agradeço a todos os amigos que participaram desse processo
e a todos os leitores do meu trabalho pelo incentivo e interesse.
O livro já pode ser comprado pela internet.
Maiores informações podem ser obtidas pelo email: fazendolivros@gmail.com
Um grande abraço à todos!
Anderson Julio Lobone
sábado, 3 de novembro de 2007
Nanquim
como num acalanto,
estive entre o riso e o espanto.
Lembrei dos ventos frios
e da lua de brilho raro,
quando sempre me deparo,
com a lembrança
dos teus traços,
e assim,
revivo os abraços
e os sonhos
outrora rascunhados.
Hoje,
em pé na varanda
percebi que suas pegadas,
a tanto tempo cunhadas
em minhas ruas de nanquim,
ainda não se apagaram.
E como de praxe,
minha esperança de guache
se borrou com meu pranto.
(Publicado em 28/10/2007)
Círculos
Eis o que me aflige.
E com a velha efígie
cunhada no ontem,
caminho de encontro
ao mesmo recomeço...
Sem fim...
O perigo de voltar
hoje é meu enredo,
e o futuro cortês
já não faz segredo:
eis me aqui outra vez.
Seguir...
Numa grande reta...
sem placa, sem meta,
nem ponte, nem nada...
Ao horizonte sem seta.
Partida sem chegada.
Por fim...
Os círculos só na poeira
de uma lembrança turva.
E sem eira nem beira,
numa forasteira curva
entre uma e outra reta,
minha vida se completa.
(Publicado em 10/10/2007)
Bolsoni
O ontem não sabe.
Mas o que me cabe
dizer do menino bonito
é o estranho conflito
que suas lentes confessam.
Se as noites cessam
as paixões em desfile,
sempre há quem destile
seu olhar de narciso...
ou seu cabelo impreciso.
Num foco fechado,
traz seu “eu” tatuado
como círculos em pele...
para que nunca se revele.
Sua angústia é contida
num dos cantos da vida.
E quando se apresenta
em cyano ou magenta,
ele logo despista e some.
Se um flash que lhe consome,
a troco de vida em ação,
ele corre sem direção.
Mas as vezes...
as vezes não!
(Publicado em 19/09/2007)
Mosaico
quando as horas
se avolumam
e as pessoas fumam
junto ao quadro da sala,
respiro o que a vida exala
nos dias de primavera.
Feito erva que se macera
para o banho de limpeza,
com toda a destreza
me decomponho.
E ante ao futuro medonho,
junto cores em mosaicos
como se fossem meus “cacos”
de sonhos, brisas e espinhos.
Cristais com vinhos...
Aromas de amores:
Seios, nucas e flores.
Num trago manso
ainda me alcanço
no brinde à vida.
Minha taça erguida
reflete a sede
de minha boca de sal...
O silêncio é o sinal
de que na noite a esmo
já não sou mais o mesmo.
(Publicado em 21/09/2007)
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Capa de Murmurando Ventos
A criação ficou por conta do designer gráfico Ricardo Monteiro.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
As Tempestades
Elas sempre voltam...
E assim,
me varrem os sentimentos,
os sonhos, os brios
e os cios das manhãs.
E minhas paixões,
como clãs de gente insana
arranham os vidros da janela
numa súplica singela
por uma chancela
de amor perfeito.
Mas nada resiste.
E quando os ventos se vão
restam apenas resquícios
das vontades e dos vícios.
Como moinhos emperrados
meus braços cansados
procuram os quadris,
de almas gentis, que,
com fé, malícia
e um batom vermelho
sempre me levam de volta
ao carrossel da rua...
ao panteão da lua...
(Publicado em 01/09/2007)
Poesia Morta!
Junto da porta,
restos de inspiração.
Cena sombria.
Com a covardia,
havia vodka e pão.
Caso intrigante.
Amarrada em barbante,
a vida em cinema gemia.
Mistério maldito.
O poeta que era mito,
no último bilhete dizia:
À quem interessar possa...
Essa que agora agoniza,
e que um dia me foi brisa,
tal qual as tardes na roça,
andava em tempo recente
traindo este tolo escrevente
com acordes de um violão
em baladas sem direção.
Ao ver que tão minha poesia
fugia ao fim de cada dia,
quebrei enfim minha “pena”
e ante a última cena,
deixei minha poesia secar...
Ali sozinha...
no chão da cozinha.
Se esvaindo enfim...
com sede de mim.
Círculos
Eis o que me aflige.
E com a velha efígie
cunhada no ontem,
caminho de encontro
ao mesmo recomeço...
Sem fim...
O perigo de voltar
hoje é meu enredo,
e o futuro cortês
já não faz segredo:
eis me aqui outra vez.
Seguir...
Numa grande reta...
sem placa, sem meta,
nem ponte, nem nada...
Ao horizonte sem seta.
Partida sem chegada.
Por fim...
Os círculos só na poeira
de uma lembrança turva.
E sem eira nem beira,
numa forasteira curva
entre uma e outra reta,
minha vida se completa.
(Publicado em 27/08/2007)
Novelo
a correr pelo tapete,
vi minha alma nua
e cantada em falsete,
se perder no tempo
e orbitar na lua.
Num choro mudo
qual um vazadouro
em noite escura,
guardei sob escudo
folheado a ouro,
a minha ternura.
Até que na tarde
pintada num azul
“papel de maçã”,
chegastes em alarde
trazendo do sul
um fio de lã.
Tecendo abraços
em pontos precisos
em cada madrugada,
me destes os passos
bordados em risos...
com o fio da meada.
(Publicado em 25/08/2007)
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Fernanda
O Frio...
O livro...
O Licor...
Esquecida no tempo,
minha imagem em andor
ressurgiu em teus olhos
de mel...
de pedidos...
de temor...
Do sofá furta cor
tu me olhas... sozinha.
Ah... que sorte a minha:
Te encontrar
entre o mundo e a cozinha,
depois de noites em pilhas.
Meus versos tolos...
Tuas sapatilhas...
Meu sorriso puro
entre tuas virilhas...
Tua dança.
Minha mão.
Um Pacto.
Um avião.
A noite que não anda.
E o teu nome, que hoje,
fecha a rima
do poema
que escrevo
na varanda.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Rosa Chá
Nem a vida em minha volta,
nem a tarde que se solta,
nem tão pouco as horas...
Nada me obedece.
Meu lápis,
outrora passivo
e agora animado...
vai e vem sem crivo
no papel desbotado.
E eu,
que resmungava de tudo,
me pego a dançar mudo
e a sorrir na tua rua,
na esperança nua
de te ver na janela.
E você...
à espreita,
no fim da tarde perfeita
se confunde no horizonte
a despencar além do monte,
e gargalha do meu desejar.
E assim,
sem piedade de mim,
como vil e sem clemência
me revela a transparência
do teu veneno que só há
em teu vestido rosa chá.
Publicado em 12/07/2007
quarta-feira, 27 de junho de 2007
O Poema (Anderson Julio Lobone)
na pausa de todo o caos
e do meu viver concreto
li teu poema predileto.
No silêncio em revés
lembrei-me de teus pés
sob tua saia rodada...
E diante do nada
cerrei meu olhar.
Renúncia...
vício maldito!
Tornei mudo o meu grito
e no dito pelo não dito
sigo acorrentado...
Pelo pranto abafado...
e pela tua risada
até hoje calada...
Onde andas menina?
Diante dessa sina
do silêncio vil,
meu olhar quase senil
se refugia... absorto...
E ante ao poema morto
construo outras linhas...
que não são mais tuas
mas tampouco são minhas...
(Publicado em 27/06/2007)
quarta-feira, 13 de junho de 2007
O Tempo (Anderson Julio Lobone)
Dá-me o sorriso pleno
pelas coisas que vivi,
pelos beijos úmidos
e abraços indeléveis.
Dá-me a alma mansa:
extrato fino dos dia
sem que dormi amado
e acordei sozinho.
Tempo de agora...
Desvende esse meu ritmo
que pulsa a cada manhã,
e me molda fraco ou forte
na busca de outro norte...
Me abrande cada conflito
nas minhas fugas sem fim...
Na dança de um novo rito...
No fogo que arde em mim.
Tempo que vem...
Orixá mais que perfeito.
Nas formas leves do vento,
diga-me o que há de ser feito,
soprando-me um acalento,
no hálito dessas manhãs,
nos sonhos do meu rebento,
e nessas luas tal qual divãs
por onde eu me desoriento.
(Publicado em 26/05/2007)


