domingo, 10 de agosto de 2008
As verdades de um Pai
Imediatamente meu pensamento deu um salto para o começo dos anos 70 no Rio de Janeiro, quando ainda na companhia de meu pai, eu tentava decifrar as coisas do mundo dos adultos, e procurava me comportar bem diante do severidade de “Seu Alípio” .
Lembro que eu tinha três momentos favoritos com meu velho pai: Visitar a quadra da Portela, comer pastel no Mercadão Madureira, e mais tarde, ver no Maracanã, um tal de Zico que começava a mostrar toda a sua genialidade nas tardes de domingo.
Lembro também que ele sempre dizia que era preciso respeitar os mais velhos, que as drogas faziam mal para a saúde, e que era necessário preservar as amizades, e trabalhar para se dar o devido valor ao dinheiro.
Outras “verdades” daqueles tempos foram por água abaixo: Quem manda na casa é o homem, mulher não sabe dirigir, e principalmente a que diz que “homem não chora” (essa eu nunca aprendi mesmo!)
No início dos anos 80, aos 44 anos, seu Alípio foi para o andar de cima, vítima de uma das verdades que ele sabia, mas que da qual era refém: “O cigarro faz mal!”
As verdades de um Pai, certas ou não, são as ferramentas que eles oferecem aos seus filhos para que eles comecem a construção de seus valores individuais: Caráter, ideologia, conduta, respeito ao próximo, e outros valores, que ao longo do tempo serão lapidados com as ferramentas que os próprios filhos escolherem, cada um a sua maneira.
O pai do melhor aluno da classe, o pai do mais cruel assassino, o pai do mais bem sucedido empresário, o pai do mais carente dos sem teto, o pai do mais convicto ateu, o pai do mais ferrenho religioso, o pai do mais talentoso, o pai do mais perverso, o pai do mais desprezível político, e muitos outros pais, todos sem exceção, são portadores das dores e alegrias vindas das condutas de seus filhos, somadas aos sentimentos de fracasso ou de triunfo na arte de ser pai.
Nestes tempos em que as famílias são, inexplicavelmente colocadas em segundo plano por quem tem como prioridade o dinheiro, a fama e o poder político, penso muito em como fazer para que meu filho esteja protegido das mazelas do mundo, sem que eu tire dele a liberdade, o aprendizado natural e a alegria das descobertas.
Talvez a única ferramenta para enfrentar estes tempos seja a de ensiná-lo a “olhar nos olhos”, a ter um aperto de mão firme, a não perder a esperança, a não desistir dos sonhos, a compreender as diferenças, a entender que só o amor constrói, que só a união faz a força, que só a verdade liberta e que a família é o nosso porto seguro, sempre, haja o que houver.
Com a chegada do Dia dos Pais, deixo um grande abraço a todos que como eu, acordam e dormem pensando em como fazer deste mundo louco um lugar melhor para seus filhos.
Que sejamos felizes nessa empreitada!
(Artigo publicado no Jornal Tribuna do Paraná/Curitiba/PR em 02/08/05)
terça-feira, 20 de maio de 2008
A Última Lua
o pedaço mais brilhante
era teu.
Cheia, nova... toda tua
era o enfeite mais perfeito
do quadro pintado na janela.
Pois quando te encontrei,
ela se jogou lá do alto
e teus passos no asfalto
viraram festa, vida nova.
Ah... a lua era a prova
cabal e palpável
do universo que brinca,
ao conspirar senil
por mim...por ti...
E na noite derradeira
que anunciava o fim...
pobre de mim...
Deitado na rede
e envolto na sêde
de te ter ali.
Soube que a lua
já não viria
e que ela brilharia
para um outro alguém
que nem tem
a saudade crescente
e que agora...
é minguante...
De volta à rua...
depois o eclipse
da última lua.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Poema de Fim de Verão
Quando eu sair outra vez
A voar em busca de um verão,
vou levar fragmentos dos dias
de risos, de sonhos e de querer.
Haverei de ir mais longe...
como a que buscar
uma lembrança...
ou a suplicar bonança
em forma de calor.
Minhas asas de cera e poesia,
abertas ao despencar do dia.
se recolherão, e...
como num abraço de irmão
me protegerão da saudade.
Nas rotas mais improváveis
rasgarei o azul anil,
e de encontro aos ventos
estarei a te guardar alí...
Na linha do horizonte
que me divide minha alma
em duas metades
tão desiguais
e tão sem você.
(Poema e Fotografia extraída do Projeto "O Monóculo" de Robson Bolsono e Anderson Julio Lobone - http://omonoculo.blogspot.com )
Humor e Incorreção Política
As Mãos
Não quero ver tua palidez.
Não quero ser a tua ferida.
Nem sentir passar a vez.
Conheço tua dor aqui
na palma da mão,
no frio do chão
e nas entranhas do medo.
Teu sorriso em compasso...
Tua vida saindo do laço...
Tua alma liberta do tempo...
O teu canto solto no vento...
Abre os braços agora...
Cante a canção perdida...
Me abrace noite afora
na pele adormecida...
Te dou minhas mãos
Moldadas em poesia...
Aquecidas pelo tempo
E guardadas na magia.
terça-feira, 25 de março de 2008
Quem ficou em mim...

Não haveria razão para escrever se não houvesse a memória. Os resquícios das lembranças são como um combustível indispensável para aqueles que como eu, fazem do ofício de escrever uma ponte para a felicidade ou até mesmo, uma cachaça.
Por conta disto, estes dias debrucei-me sobre a janela de minha alma e perguntei-me: que memórias ainda residem neste coração de poeta?
Imediatamente lembrei-me de personagens distantes, perdidos na névoa do tempo e também de rostos que recentemente tomaram conta de meus pensamentos e que assim tornaram brisas, todos os ventos que atravessei.
**************
Nos anos oitenta, durante a apresentação do cantor britânico Sting em pleno maracanã, conheci um cara chamado Trevor. O cara em questão era um compatriota do então ex-líder do The Police, banda de rock seminal para o som que nasceria na década seguinte.
Por mais que meu inglês não fosse à época um bom caminho a ser trilhado por quem desejasse se comunicar, acabei passando quase todo o concerto “conversando” com Trevor.
Entre um hit e outro de Mr Sting, ele me dizia:
- Hey “Andersen”, isto é música! Isto é alma! – repetia batendo no peito.
- Se você pode sentir isso você é verdadeiramente humano – disse-me.
Achei engraçado como um inglês, à quem normalmente imputamos a imagem da frieza, se deliciava tão intensamente com cada acorde de Sting.
Num determinado momento do show, Trevor me olhou e disparou:
- Hey “Andersen”, o que você é de verdade “bem lá no fundo” de sua alma?
- Bicho, acho que eu sou poeta – murmurei em português.
- O que você disse Andersen? – perguntou fazendo careta.
- I’m just a poet Trevor… just a poet! – repeti com o olhar vagando no céu.
Por uns instantes,Trevor me olhou quieto. Ao fim da bela canção “Seven Days”, ele me disse:
- Então você é um deles Andersen!
- “Deles” quem seu maluco? – retruquei.
- Você é um anjo. Poetas são anjos. E os anjos poetas escrevem coisas para nos anestesiar das dores da vida. – respondeu com um ar sério.
A poesia das palavras de Trevor, me tocou profundamente. Fiquei o resto do show calado e emocionado.
Enquanto Sting se despedia do público, Trevor se despedia de mim com uma frase que, de alguma maneira faz com que ele esteja aqui até hoje:
- Hey Andersen, a poesia é o carinho dos anjos. Leve seu carinho ao mundo.
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Certa vez em Salvador, eu procurava uma sandália de couro para presentear uma amiga. Em meio a acarajés e patuás, andava tranquilamente pelo Mercado Modelo quando fui abordado por uma senhora de cabelos brancos e muito risonha.
Ela segurou na minha mão e mirou dentro dos meus olhos:
- Você não é o poeta? - perguntou.
- Sim, mas eu tenho quase certeza de que não sou o poeta que a senhora está procurando, pois sou um poeta absolutamente desconhecido – respondi.
- Seu bobo! Saiba que eu li muitas coisas ao seu respeito – insistiu.
- É? E onde a senhora leu? – perguntei entre o riso e o deboche.
Senti que ela começou a não gostar de minhas respostas, pois imediatamente soltou minha mão.
- Olha aqui Francisco, eu sei que poeta é um povo meio estranho, mas não é porque eu acho seus poemas porretas que você vai pensar que vai me enganar ta? – vociferou.
- Olha só eu não me chamo Francisco. Meu nome é Anderson e eu não sou o poeta famoso que a senhora esta pensando! – respondi já meio penalizado.
- Humm... – resmungou desconfiada.
- Você sabe quem é seu pai? - perguntou mudando de assunto.
Achei estranha a pergunta mas, como não queria mais contraria-la resolvi contar que meu pai havia falecido a muito tempo e se chamava Alípio.
- Meu rei eu tô perguntando de “pai de cabeça” – explicou.
- Olha só eu não entendo muito dessas coisas de umbanda ou candomblé, mas um dia me disseram que era Ogum – respondi com receio de falar besteira.
- Ahhh. Ogum! Sua mãe deve ser Iemanjá e por conta disso a sua poesia vai cortar como o aço e envolver como as águas - emendou.
Agradeci a explicação daquela mulher falante e risonha, mas lhe disse que precisava ir, pois eu ainda tinha que comprar o presente de minha amiga e estava muito confuso com aquela conversa toda.
- Olha só meu filho, põe uma coisa na sua cabeça. Você vai fazer mil coisas, e querer ser muita coisa. Mas a única coisa que você nunca vai conseguir deixar de ser, é ser poeta. E você vai lembrar dessa velha Mariana te dizendo isso sob as bênçãos de Nosso Senhor do Bonfim – gritou.
E não é que eu não esqueci mesmo?
Saravá velha Mariana!
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Era inverno na praia da Joaquina em Florianópolis.
Estava ali em um passeio inesperado, mas tentando relaxar em meio às tempestades que pipocavam em minha vida no início de 2003.
Cheio de casacos e com uma caipirinha na mão direita, eu olhava meu filho, então com pouco mais de dois anos a correr pelas areias ao lado da mãe.
Envolvido pelos sons das ondas quebrando, quase não escutei a voz do menino que apareceu do nada.
- O senhor está triste? – perguntou-me com um sorriso no meio da face alva.
- O que você faz sozinho aqui menino? Onde estão seus pais? – perguntei mal educadamente sem responder a sua pergunta inicial.
- Estão ali! – respondeu apontando para uma mesa ocupada por pessoas que falavam alto e gesticulavam muito.
- Mas me responde, o senhor está triste? – insistiu.
- Não, eu estou muito feliz – menti.
- Não é o que parece, sabe tio? – disse aquele menino sem piedade.
Imediatamente lancei meu olhar para o meu filho que rolava na areia com sua mãe em gargalhadas gostosas como uma manhã de setembro.
- Tio, o que o senhor faz da vida? – perguntou o pestinha.
- Tenho uma empresa de computadores – respondi entediado.
- Meu pai é médico e minha mãe é professora – contou-me.
Olhei para aquele menino e fiquei a me perguntar porque diabos ele estava ali a interromper as minhas lamúrias naquela manhã.
- E você, o que vai ser quando crescer? – perguntei.
- Ah tio, eu vou ser um escritor - respondeu com o mais lindo sorriso que eu já havia visto até então.
Aquela resposta caiu como uma bomba de “zilhões de megatons” na minha cabeça. A vontade de me atirar no mar foi tão grande que eu resolvi pedir outra caipirinha.
- E porque você quer ser escritor, em vez de ser um empresário ou um médico como o seu pai? – questionei, devolvendo a explosão covardemente.
- Porque eu preciso ser feliz quando eu crescer entendeu tio? – devolveu ele sem piedade.
- Sabe que eu antigamente escrevia muitos poemas? – disse já me rendendo.
- E não escreve mais? – perguntou cruel.
- Não – respondi amargo.
- Ah tá, agora entendi! – disse com um ar de severidade.
- Entendeu o que? – perguntei.
- Porque o senhor está triste – disparou, como que num tiro de misericórdia antes de sumir por entre as mesas.
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Fim de 2007. Um amigo do peito decide se casar e me convida para ser o padrinho. Quanta honra!
Mesmo em meio à correria do lançamento do meu livro, pego um vôo até Goiânia, onde será realizada a cerimônia.
- Estou impressionado com a beleza das mulheres daqui – disse ao noivo.
- É por isso que eu me caso amanhã – respondeu meu amigo bem humorado.
A cerimônia religiosa transcorre de maneira rápida e emocionante.
Em seguida os noivos recebem os convidados num belíssimo clube da cidade, onde um farto buffet e garrafas de whisky nos aguardam.
Algumas doses de escocês legítimo depois, uma amiga me chama para dançar, e durante alguns minutos tive a impressão que a queda era algo inevitável.
Mas foi dali da pista de dança que meus olhos se depositaram na mais linda das paisagens daquela festa. Uma mulher deslumbrante dançava com suas amigas no meio do salão.
Sua morenice deslizava por dentro de seu vestido escuro, e seus cabelos negros e lisos bailavam para o deleite e desbunde do meu poetar.
Nesse momento tive a certeza de que eu ouvi “um estranho sinal de ocupado” pois não conseguia mais raciocinar.
Retornei à minha mesa e comentei com um outro amigo:
- Bicho, o que é aquilo? – perguntei trôpego.
- Realmente ela é linda – ele disse.
- Linda é minha mãe, ela não é dessa dimensão – comentei extasiado.
Em poucos segundos eu já estava inconvenientemente puxando a noiva pelo braço e perguntando quem era aquela pequena obra divinal.
- Ah é minha prima. O nome dela é Thy – respondeu achando graça.
Thy. Ela ainda tinha quer ter um nome desses?
Meu amigo ao ver minha fisionomia inebriada, não perdeu tempo:
- Faça um poema para ela, quem sabe você não a conquista? – alfinetou.
- Faça o seguinte, publique no diário oficial que todos os meus poemas agora são dela, inclusive os que eu ainda farei – devolvi, ainda em meio ao êxtase.
Como por encanto ela já estava dançando perto de mim e ao alcance daquele meu olhar quase senil.
A cada movimento de suas mãos ou a cada reluzir de seu sorriso eu transbordava em versos e orava para não esquece-los antes da festa terminar.
Mas a folia tomou conta da festa e eu, qual Arlequim, buscava sem sucesso aquela “divina colombina” do planalto central.
Obviamente retornei ao Rio de Janeiro sem conseguir falar com Thy, e lhe dizer os versos que compus e perdi em meio a marchinhas carnavalescas e doses de scoth.
Mas como a sorte não abandona os loucos, amantes e poetas, eis que em poucos dias eu já fazia contato através do computador, com aquela que batizei nos meus sonhos de “Quase Musa”.
Sim “Quase Musa” porque desde que a encontrei não a tirei do pensamento um só instante, mas não consegui mostrar uma só linha do que compus e esqueci naquela noite em Goiânia.
Ah essa coisa de ser poeta faz com que a gente possa tudo. Absolutamente tudo! Até mesmo ter uma quase musa, que nunca ganhou um verso, que nunca olhou com seus olhos de menina nos olhos desse poeta quarentão, e que nem sabe do que anda no meu peito em forma de verso e prosa.
Minha “quase musa” quando me vê nesse mundo virtual costuma anunciar sua chegada com um doce e cativante “oiêêê”...
Minha “quase musa” adora quando eu a chamo assim...
Mas minha “quase musa” ainda não sabe que ela já é Musa.
Minha “quase musa” é linda. E agora é uma advogada que tem planos de logo vir ao Rio de Janeiro.
Quem sabe assim ela não redige logo aquele documento que vai tornar minha poesia e minha inspiração como de sua propriedade para sempre?
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Trevor sumiu pelo mundo, e não sei dizer se está entre os anjos.
Velha Mariana já deve estar num mundo melhor que o nosso.
O menino da Joaquina deve ter crescido e viver feliz por ai.
Todos de alguma forma, ficaram em mim...
E Thy? Bom... ela ainda vai chegar, mas tomara que fique para sempre!
Outra vez
por sobre o jardim,
é a mais pura denúncia
de que eu,
ao me defender
busco outros horizontes.
Me salve...me salve,
pois ao fugir do viés da solidão
Eu semeio saídas...
Eu permeio feridas...
Eu me jogo no além!
Então,
Me ameace... me lace...
Não se sinta imune...
Não me deixe impune...
porque a cada manhã que brota,
eu me desfaleço do que fui
e renasço na dúvida
inquietante e muda,
do que desconheçoem mim.
Outra vez,
não me domino.
Outra vez...
Parece incrível,
não sou tangível
nem mensurável
E morro a cada vez
que percebo
que já não caibo em mim.
Vida
e dos meus dedos no marfim ...
Depois dos laços da manhã
e do teu rastro em meu afã...
Eis essa tarde em prosa
a dourar o teu olhar
que agora ressurge
das manhãs do tempo,
e me leva de volta
ao lugar de direito
nesse mundo
tão vazio de nós dois.
Então,
o riso nunca esquecido
Te vê, te abraça e te salva
em um momento tecido
Como que em frescor de malva.
A última porta aberta
dessa vida redescoberta
que agora cobre o chão
de poesia, sonho e canção.
Ah vida...que arde...
De volta ao começo
qual tardes em gesso.
Ah vida...que arde...
Que para no meio
qual toque no seio.
Vida bruma leve...
Vida então desnudada...
Vida então me leve...
Vida, vida... mais nada!
Um amigo chamado Perseu!
(Na foto acima, um flagrante de Perseu em um dos seus estranhos hábitos: esconder-se no alto da chaminé do vizinho em dias de chuva) - Foto: Acervo Pessoal / 2000)
Projeto "O Monóculo"
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Carnaval Paralelo: Samba de Raiz

2:00 hs.
Obviamente ainda não dormi.
Carnaval, sabe como é? Olhos abertos madrugada a fora...
Porém amigo leitor, para espanto geral da nação,
neste carnaval 2008, com alguns meneios de cabeça esquivei-me
cheio de estilo das propostas indecentes de viagens indígenas
no período momesco a qualquer canto encravado nas
aprazíveis Costa Verde ou Regiãos dos Lagos. Escapei ainda de um carnaval "Sen-sa-cio-nal" em Salvador...
Que me perdoe o mano Brown aí em cima, mas dá pra chegar no Rio Vermelho só em abril ou maio, quando visitar aquele paraíso é muito mais interessante e tranquilo?
Podem me imaginar naquela multidão a gritar "Olha o Asa aê"?
Bom, confesso que quase aconteceu também uma viagem cheia de romance à Porto Alegre.
Bah Tri-legal, mas abençoado pela conspiração universal ao ficar em casa, acabei por mergulhar mais fundo em minhas pesquisas sobre música nesse imenso e impressionante mar virtual.
E eis que acabo de encontrar um fabuloso manancial de mp3
de samba tradicional - ou de raiz, como queiram.
O Blog Cápsula da Cultura traz um formidável balaio de sugestões e links para o que há de melhor do nosso samba de terreiro.
Lá encontrei álbuns inteiros de Candeia, Mano Décio da Viola, Walter Alfaiate, Monarco, Nelson Sargento, Ney Lopes, Casquinha e tantos outros, além é claro, de pérolas preciosíssimas de gente do quilate de Paulinho da Viola, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, João Nogueira e Beth Carvalho.
Tenho que parabenizar o dono do blog, pois só com muita paixão e perseverança é possivel oferecer aquele baú de tesouros...
Terça de madrugada. Procuro notícias de carnaval...
Meu Império Serrano "estraçalhou" na avenida na sexta feira.
Para quem no ano passado era uma das candidatas ao título e surpreendentemente foi rebaixada parece que provou que a mística da verde e branco de Madureira não morre jamais!
"Imperiano de fé não cansa", já dizia a canção!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Viajante
Vi pegadas.
E uma após outra,
lá estava eu
a seguir tua assinatura
na terra molhada
daquela primavera doce
qual flor de cacau.
No meu espanto
ao ver
a pegada derradeira,
ergui meu olhar
ante a jardineira
de tua janela.
Você,
que ali de posse
de risada cândida,
cantava feliz
por minha alma...
lânguida,
que enfim
ancorava junto à tua.
E sem preço,
sem óbolo ou fatura,
descansei em teus véus
de doçura,
e me perdi nas curvas
que fazem de mim
um eterno viajante.
(Publicado em 04/01/2008)
As Horas
meu olhar aprendeu
- confesso à fórceps,
que não é que capaz
de deter as horas.
Essas doidivanas que,
em minhas primaveras
insistem em descompassar
a minha espera
por um urro aflito
do telefone.
E ante ao bule
de café adormecido
e frio,
sigo a praguejar
um amanhã vazio
ou quiçá,
uma eternidade assim.
Prazo vencido,
as esquinas
se reapresentam
como portadoras
de minhas dores
menos agudas.
E ali permaneço...
Anoiteço...
Esmoreço...
E o recomeço,
é o fingir
não lembrar
do ontem...
e tampouco
de anteontem.
--
.
.
.
Anderson Julio Lobone
Ordálio
quis em vão,
me ausentar
do teu mundo.
Qual um eremita,
mergulhar no deserto
da minha alma
frágil e sem calma.
Todavia,
desta feita,
como num ordálio
previsível e sombrio,
tua voz me inundou
em ondas fatais,
e tuas mãos,
hoje calejadas,
tocaram leves...
meu sorriso
guardado em caixa
de papel crepom.
Heroína e vilã,
eis me outra vez
aos teus pés.
Rapapés à ti...
E minhas juras
de volta aqui.
Meu pedido,
em tom dolorido:
Cuide do teu refém,
ou o deixe...
à outrem.
(Publicado em 04/01/2008)
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Livro "Murmurando Ventos" é lançado.
Queridos amigos...Depois de um longo período de negociações e entraves jurídicos
finalmente meu livro "Murmurando Ventos" foi lançado pelo selo
do Projeto Fazendo Livros.
Agradeço a todos os amigos que participaram desse processo
e a todos os leitores do meu trabalho pelo incentivo e interesse.
O livro já pode ser comprado pela internet.
Maiores informações podem ser obtidas pelo email: fazendolivros@gmail.com
Um grande abraço à todos!
Anderson Julio Lobone
sábado, 3 de novembro de 2007
Nanquim
como num acalanto,
estive entre o riso e o espanto.
Lembrei dos ventos frios
e da lua de brilho raro,
quando sempre me deparo,
com a lembrança
dos teus traços,
e assim,
revivo os abraços
e os sonhos
outrora rascunhados.
Hoje,
em pé na varanda
percebi que suas pegadas,
a tanto tempo cunhadas
em minhas ruas de nanquim,
ainda não se apagaram.
E como de praxe,
minha esperança de guache
se borrou com meu pranto.
(Publicado em 28/10/2007)
Círculos
Eis o que me aflige.
E com a velha efígie
cunhada no ontem,
caminho de encontro
ao mesmo recomeço...
Sem fim...
O perigo de voltar
hoje é meu enredo,
e o futuro cortês
já não faz segredo:
eis me aqui outra vez.
Seguir...
Numa grande reta...
sem placa, sem meta,
nem ponte, nem nada...
Ao horizonte sem seta.
Partida sem chegada.
Por fim...
Os círculos só na poeira
de uma lembrança turva.
E sem eira nem beira,
numa forasteira curva
entre uma e outra reta,
minha vida se completa.
(Publicado em 10/10/2007)
Bolsoni
O ontem não sabe.
Mas o que me cabe
dizer do menino bonito
é o estranho conflito
que suas lentes confessam.
Se as noites cessam
as paixões em desfile,
sempre há quem destile
seu olhar de narciso...
ou seu cabelo impreciso.
Num foco fechado,
traz seu “eu” tatuado
como círculos em pele...
para que nunca se revele.
Sua angústia é contida
num dos cantos da vida.
E quando se apresenta
em cyano ou magenta,
ele logo despista e some.
Se um flash que lhe consome,
a troco de vida em ação,
ele corre sem direção.
Mas as vezes...
as vezes não!
(Publicado em 19/09/2007)
Mosaico
quando as horas
se avolumam
e as pessoas fumam
junto ao quadro da sala,
respiro o que a vida exala
nos dias de primavera.
Feito erva que se macera
para o banho de limpeza,
com toda a destreza
me decomponho.
E ante ao futuro medonho,
junto cores em mosaicos
como se fossem meus “cacos”
de sonhos, brisas e espinhos.
Cristais com vinhos...
Aromas de amores:
Seios, nucas e flores.
Num trago manso
ainda me alcanço
no brinde à vida.
Minha taça erguida
reflete a sede
de minha boca de sal...
O silêncio é o sinal
de que na noite a esmo
já não sou mais o mesmo.
(Publicado em 21/09/2007)
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Capa de Murmurando Ventos
A criação ficou por conta do designer gráfico Ricardo Monteiro.



