quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Entrevista ao Jornal Conexão Cultura

LITERATURA VITUAL: POESIA E SUCESSO NA REDE

Numa época em que a internet oferece ao mundo grandes dúvidas quanto aos caminhos a serem trilhados pela indústria fonográfica e pelo mercado editorial, uma avalanche de autores tem se destacado com a publicação de suas obras na rede mundial de computadores. Sem terem lançado um livro sequer, esses poetas, romancistas e letristas ocupam um espaço nunca imaginado entre os aficionados pela leitura que, por comodidade, preferem a pesquisa no computador, a uma visita a uma livraria.
Nesse novo panteão de “escritores sem livro”, podemos destacar o poeta
carioca Anderson Julio, que em 2006 viu seu trabalho cair nas graças de leitores virtuais de todo país e inclusive de Portugal.
Por telefone ele conversou com a repórter Carina Santoro, ele falou da atual cena literária e sobre a sua relação com esse “universo virtual.”

Conexão Cultura: Como você avalia essa “descoberta” do seu trabalho na internet, depois de mais de 20 anos escrevendo?
Anderson Julio: (risos)...Coisas do mundo moderno... (risos). Mas antes tarde do que nunca. Na realidade eu nem tinha a intenção de me valer da internet para isso, mas no fim de 2005 vi que algumas pessoas colocavam poemas meus em suas páginas pessoais, em blogs e no orkut. Achei aquilo muito estranho, mas incentivado por alguns amigos e outros escritores, resolvi postar alguns dos meus textos na web e aí as coisas realmente começaram a acontecer.Quando vi já tinha até comunidade no orkut discutindo a minha obra...(risos).
Conexão Cultura: Como você define a atual cena literária no país?Acha que por conta da internet haverão mudanças significativas no mercado editorial como já acontece no mercado fonográfico?
Anderson Julio: Olha a cena atual é muito profícua. Tem gente de muito talento em todos os cantos do país, haja visto o que pode ser encontrado no Recanto das Letras (N.editor: Portal de internet dedicado à literatura e aos novos autores). Mas talvez o que mais seja significativo é a grande quantidade de pessoas que começam a bancar o seu sonho de editar um livro. Já existem pequenas soluções para quem quer fazer uma edição pequena com um preço razoável.Acho que na realidade isso tudo, somado à internet, e em especial os “e-books”, vão provocar uma reviravolta no mercado, mas ainda vai demorar, ao contrário do mercado fonográfico, em que a gente percebe que os cds estão com seus dias contados. Ainda há muito espaço para o livro no formato atual, ainda mais porque o brasileiro ainda lê muito pouco.
Conexão Cultura: Isso quer dizer que você pretende ignorar as editoras e partir para uma produção independente?
Anderson Julio: De maneira alguma. Estou em conversação com algumas editoras daqui e de Portugal, porém, caso nada aconteça, posso pensar na hipótese de produzir o meu primeiro livro através de algumas parcerias que me foram oferecidas.Nesse caso, o mais difícil é a questão da distribuição, um tormento para quem produz seus livros.
Conexão Cultura: Seu trabalho recebe elogios de boa parte da crítica e inclusive de alguns dos mais respeitados poetas da atualidade. O que você acha disso?
Anderson Julio: Quanto aos elogios, é o resultado da minha determinação em expor da maneira mais intensa as coisas que eu vivo, sinto e acredito.Se eles tocam as pessoas é sinal que eu fui feliz na minha empreitada. Minha poesia tem simplicidade e intensidade. E isso deve justificar as manifestações positivas. É sinal que eu consegui tocar as pessoas.Outro dia estive com o nosso grande poeta Thiago de Mello, e ele me disse: “Eu escrevo apenas poemas.Se vão achar alguma poesia neles é uma outra história.” É mais ou menos por ai! (risos)...
Conexão Cultura: Fale de seu encontro com Thiago de Mello...
Anderson Julio: Foi realmente fantástico. Eu estava no evento “Poesia Voa” no Circo Voador aqui no Rio de Janeiro. Ele me foi apresentado por amigos que temos em comum.Uma figura ímpar, que além de representar o melhor da poesia feita nas últimas décadas, é um homem de rara sensibilidade. Conversamos sobre poesia, as coisas da mata e até sobre Fidel Castro. Depois de conhecer Carlos Drummond de Andrade, este foi sem dúvida um dos mais fantásticos encontros que eu vivi.Como eu disse outro dia, Thiago de Mello é um homem que vem e vai. Todo vestido de branco, todo lindo e todo poesia.
Conexão Cultura: Você terminou um romance que está sendo aguardado com ansiedade por quem acompanha seu trabalho: Universo Paralelo. E atualmente, você já está trabalhando em um outro romance, ou anda se ocupando com crônicas e poesias? O que lhe dá mais prazer de fazer?
Anderson Julio: Não tenho uma rotina estabelecida e nem preferência.Depois de três anos dedicados ao “Universo Paralelo”, estou as voltas com a idéia de um novo romance chamado “Não Amava Ninguém”, porém, ainda é um projeto embrionário.Quanto às crônicas eu continuo escrevendo para os jornais onde ainda mantenho colunas fixas. Mas as poesias, ou melhor, os poemas (como diria Thiago de Mello) eu tenho produzido muitos, bem como as letras de músicas que algumas pessoas me pedem.No final, tudo isso me dá um enorme prazer.
Conexão Cultura: E o que você tem lido de interessante em termos de novos escritores?O que você tem lido ultimamente?
Anderson Julio: Dos livros que li recentemente posso destacar “O Ano da Seca” e “As Marés Bruxas” do romancista catalão Victor Álamo de La Rosa, que é excelente e teve o primeiro prefaciado por José Saramago. Por aqui li “Urro” e “A chuva de Ontem” de Leonardo Mendonça, sendo que o último foi lançado para o mercado latino. Na internet eu tenho visto poetas interessantíssimos que tem me agradado muito. Posso citar a Priscila Andrade e Cristina Nunes que conheci a pouco no Recanto das Letras.
Conexão Cultura: Anos a trás você disse numa entrevista que poetas quando se encontram, aprontam. Com que poetas você tem se encontrado e aprontado?
Anderson Julio: Olha que isso pode me comprometer hein? (Risos)... Eu posso dizer é que tenho conversado com gente muito interessante. Mas confesso que os meus duetos com a escritora Alma Welt tem sido divertidíssimos. Um verdadeiro “Duelo de Sonetos”.Nos encontramos na internet e trocamos comentários a respeito das obras de ambos. Depois disso, passamos a duelar empunhando versos. Uma alegria enorme para mim, pois ela é muito talentosa e bem humorada. O que nós aprontamos tem sido publicado nas páginas de ambos no Recanto das Letras.Além disso tenho trocado impressões a cerca das coisas do mundo com alguns poetas de Portugal.
Conexão Cultura: Pra terminar, o que você diria pra alguém que escreve e que quer divulgar seus escritos para o mundo?
Anderson Julio: Só tem um caminho: a internet. Diria para estas pessoas passarem seus textos para o micro e se cadastrarem nos portais de literatura, como o Autores.com, Usina das Palavras, e em especial o Recanto da Letras que disparado tem a melhor estrutura e melhor interface.Além disso, você pode ter a avaliação de outros escritores que podem te ajudar muito.
Conexão Cultura: Uma última frase para definir Anderson Julio...
Anderson Julio: Continuo com os versos de Cecília Meireles: “Não sou alegre e nem sou triste. Sou poeta!”

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Meu dueto com Alma Welt

Atualmente estou envolto em uma gostosa ciranda que se iniciou nos primeiros dias de 2007.
Um delicioso dueto com a misteriosa (ninguém sabe quem ela é, e nem mesmo se ela o é! rsrs) escritora e poetisa Alma Welt,.
Nossa troca de sonetos está sempre atualizada no meu site no Recanto Das Letras.
Para conferir o que temos aprontado é só visitar o endereço abaixo:

http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=340377


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domingo, 7 de janeiro de 2007

Fina moldura (Anderson Julio)

Olha a tarde!
Por mais que eu queira,
não haverá outra maneira
que não seja ser feliz.
Tua boca entre aberta
é o fim da superfície deserta
em que andei até aqui.
Vem!
Me diz o queres
e faz o que bem quiseres
do sol que cai.
Porque ele ainda vai
se encontrar com a lua,
onde assim flutua
no horizonte pintado
em cor de ternura,
e com fina moldura
a cercar tua doçura.
O perfeito se avizinha
com a tua pele
junto da minha.
Minhas mãos sem calos
a dançar em tuas costas,
e minhas propostas
nos doces resvalos
de tuas respostas.
A tarde vai
como que numa redoma
e a noite vem
e traz teu aroma.



(Publicado em 07/01/2007)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

O Fim (Anderson Julio)

Quando chegou
mudou todos os dias
e trocou todas as vias.
Me deu a mão macia
e o direito de viver o sonho
que já se esvaía.

Quando chegou
não pediu licença.
ditou a sentença,
de que eu poderia,
à sua revelia,
viver o que havia
além da janela sombria.

Quando chegou
me trouxe de volta,
como que em escolta,
o verde de antes
no olhar galante...
perfeito... ungido...
Outrora exultante,
enfim,
me dei por vencido.

Quando chegou
doou carícias ternas,
prendeu minhas pernas,
e a boca navegante
se entreabriu ofegante
junto com a minha
marejada e sozinha
até sua chegada
com a pele suada
e ali ancorada.

E agora que vais
rumo ao nunca mais,
leva contigo minha alma
agora já tão calma.
Eu estarei tatuado
por dentro e por fora...
Como que se enraizado...
Depois... como agora.
Leva pela vida afora
o que um dia me deste,
sob a lua mais linda
da Praia de Leste.

( Publicada em 27/12/06)

domingo, 24 de dezembro de 2006

Sobre o Natal e o AnoNovo

Pois é...
Ontem estava pensando em como, nesta época do ano, a gente invariavelmente
se torna mais tolerante, amável, carinhoso, paciente e "gente boa".
Passamos a ter mais facilidade de digerir as dificuldades, as ausências, os imprevistos
e principalmente os "defeitos do outro".
Nessa época em que comemoramos a esperança, seja pelo nascimento do nazareno
ou pela expectativa de um ano melhor, passamos boa parte do tempo com um sorriso
estampado no rosto, e com os braços prontos para envolverem quem cruze o nosso caminho.
Pensei em como seria bom, se derepente a gente não deixasse mais esses "sentimentos de dezembro" (tolerância, amabilidade, capacidade de perdoar, paciência e bom humor)
sair de dentro de nós.
Ficaria proibido todo e qualquer tipo mau humor, estresse, impaciência e intolerância.
Os abraços seriam para sempre, beijo na boca então ... nem se fala.
Aquele vizinho "mala" seria encarado como alguem que precisa de um abraço,
e aquele outro que vc nem gosta de pronunciar o nome, seria considerado como uma
pessoa que precisa de um pouco mais de atenção e afeto.
Essa energia e paz estariam impregnando todo mundo, e aí, a vida seria muito mais fácil.
Então, está decidido: a energia "dezembrina" nunca mais sai de dentro de mim!
E eu sinceramente, desejo que neste Natal vc também radicalize e a mantenha dentro de ti.
Porque assim, "o feliz ano novo" já estará garantido.
E para sempre.
Um beijo de luz no coração de vocês!

sábado, 9 de dezembro de 2006

Thiago de Mello

Na adolescência tive a fantástica experiência de encontrar um dos meus maiores ídolos.
Frente a frente com Carlos Drummond de Andrade, ficava a me perguntar como aquele homem com jeito de bancário poderia escrever coisas tão fabulosas. E ainda tinha aquela história da pedra que estava no caminho. Foram momentos que eu não esqueci.
Ontem, eis que o destino me reservou uma outra emoção.
Quando cheguei pela manhã ao evento "Poesia Voa" no Circo Voador, eu sentia um frio no estômago. Sabia que finalmente eu encontraria um outro ídolo.
O evento realizado pelos grandes poetas Bruno Cattoni e Tavinho Paes, era parte das comemorações cariocas pelos 58 anos da Declaração dos Direitos Humanos.
Olhei o circo voador. Mesmo totalmente diferente do que era nos anos 80, ainda consegui me lembrar de momentos memoráveis que vivi ali, no palco e na plateia.
Num determinado momento Thiago de Mello chega.
Todo de branco... todo lindo... todo poesia.
Abraça parentes, amigos, fãs e numa primeira frase me diz:
- Me dê seu livro poeta, quero ver tua poesia.
- Só ano que vem poeta, o livro sai no ano que vem - respondi atônito.
Somos interrompidos por uma fã que diz ser uma emoção encontrar o "nosso poeta maior".
Thiago sorri e lhe pergunta:
- Já inventaram fita metrica para medir poetas? Como se mede poesia?Tem poeta menor?
Atende a todos com educação e atenção.
Vira-se para mim e diz:
- Pegue uma cadeira e sente-se aqui ao meu lado.
Obedeci, claro.
- Você também vai declamar seus poemas aqui hoje? - perguntou.
- Não, não, eu basicamente vim aqui por causa do senhor - respondi.
- O único senhor aqui é o senhor Jesus Cristo. Me chame de você porque nós somos é companheiros de ofício - reclamou.
Continuei obedecendo.
Falou que a sua "Barreirinha" ainda não afundou e nem foi queimada.
Contou sobre sua passagem por Cuba, e o que sentiu ao ver que o imperialismo americano não terá vez na ilha, mesmo após a partida de Fidel.
Depois, já no palco, declamou alguns de seus poemas, e encerrou sua apresentação, devidamente acompanhado ao piano pelo Duo Gismonte (formado pelas filhas de Egberto) declamando os "Estatutos do Homem".
Como a maioria ali, me emocionei e chorei muito.
Assistimos um trecho que um documentário sobre a amazônia, que tras declarações do poeta em seu recanto.
Ao fim, prometi-lhe enviar um e-mail contendo links dos meus escritos publicados na internet.
- Faça isso poeta, por favor... quero ler você... - respondeu antes de ir.

Que os Deuses da Floresta guardem por muito mais tempo este nosso poeta e pensador que segue pelo mundo todo de branco... todo lindo... todo poesia.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Mantra (Anderson Julio)

A repetir palavras
A repetir teu nome
A repetir teus gestos
A copiar teus sonhos

A dançar para ti
A cantar para a lua
A fugir de casa
A te ter em mim

A mudar de rua
A falar da vida
A sorrir sozinho
A sentir arrepio

A olhar o mar
A ser feliz aqui
A beber na fonte
A orar para o céu

A dormir mais tarde
A viver os desejos
A ser o sol que arde
A ter os teus beijos

A amanhecer assim
No que tua boca canta
e a se repetir em mim
Assim...
como um mantra.




(Publicado em 29/11/2006)

sábado, 25 de novembro de 2006

Recanto das Letras, 2 Anos!

Neste mês de novembro o portal "Recanto das Letras", o maior site dedicado a escritores da língua protuguesa completou dois anos de atividades e enorme sucesso.
Não tenho dúvidas que através do "Recanto das Letras" tive meu trabalho reconhecido por todo o Brasil, além de diversos países de ligua portugesa.
Fica aqui o meu eterno agradecimento a PatrickFlemer, criador e mantenedor do portal.
Para comemorar, a grande poetisa gaucha Denise Severgnini sugeriu a criação da ciranda "Recanto das Letras - 2º Aniversário", onde diversos poetas - membros do portal, escreveriam sobre aquele espaço de versos e inspiração.
O trabalho foi organizado e editado em forma de um e-livro pela incrível designer e poetisa Kate Weiss, hoje radicada na Alemanha.
O e-livro "Recanto das Letras - 2º Aniversário", está disponível para download no endereço http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/294005 no espaço de Kate Weiss, e vale a pena conferir.
Minha pequena contribuição nesta obra segue abaixo e encontra-se na página 25. Confira!


RECANTO (Anderson Lobone)

Meu olhar de espanto
recaiu sobre aquele canto.
Desconfiado no entanto
mergulhei no acalanto
em meus tons de riso
e semitons de pranto.
Ali me despi do manto
e minha poesia,
que era grande mas nem tanto
se coube perfeita, no recanto.


(Publicado em 25/11/2006)

domingo, 19 de novembro de 2006

Dose Final na Metrópolis: 20 Anos Depois



Hoje, segunda feira, 20 de Novembro de 2006.
Amanheço com uma certa confusão de sentimentos: Nostalgia, Melancolia, Alegria, etc.
A exatos 20 anos, eu fazia parte de uma banda de rock and roll chamada "Dose Final".
Num momento em que o rock brasileiro estava a pleno vapor, nós, procurávamos o nosso lugar ao sol, mesmo cientes de que o "hard rock" só tinha espaço no "underground" carioca.
Naquele tempo misturávamos blues, rock pesado, baladas românticas e litros de whisky.
A frente da banda eu cantava canções que falavam de sexo, drinks, diversão e medo.
Na sua guitarra "Gibson SG 73", o incrível Sammy Haua construia uma massa sonora suja e irresistível, com suas frases e riff inconfundíveis.Visceral, ele era o cérebro do Dose Final.
Na bateria, um jovem mineiro de Juiz de Fora chamado Elias El' Rock Chaim, que dotado de uma pegada fulminante, trazia toda a sua influência de Cozy Powel, Ian Paice, Eric Carr e acima de tudo de John Bonham, daí o seu apelido de "João Borrão".
Havia ainda um menino tímido e na maioria das vezes mudo... quieto. Mas o talento prodígio de Sérgio Gurgel em seu instrumento era o suficiente para dizer "quem ele era".
A banda já tinha uma pequena "legião" de seguidores, formada em grande parte por amigos, namoradas e outros malucos que apreciavam o bom som que o "Dose Final" fazia.
No dia 20 de novembro de 1986, tocamos numa das grandes casas de shows de rock da época.
A "Danceteria Metrópolis" ficava em São Conrado, e nas suas quintas feiras, abria seu espaço para as novas bandas cariocas, que se multiplicavam em cada esquina e em cada garagem.
Sabe aquela noite em que tudo pode dar certo? Pois era uma noite dessas. E mesmo com alguns problemas no som, fizemos o grande show da história - do hoje "cult", Dose Final.
O clima era tão bom que resolvemos mandar o "set list" para o espaço e também tocamos canções que havíamos combinado "não tocar de jeito nenhum".
"Noites Longas", "Diante da Loucura", "Alucinações Homogêneas", "Quem Sabe", "Desejo", "Juntos", "Noite de Rock" e outras canções das quais já nem me lembro bem, mas que eram o que chamávamos de uma overdose de rock and roll.
Seguimos juntos até meados de 1987, e depois, cada um seguiu o seu rumo.

Eu segui meu caminho mas por todos esses anos sempre lembrei muito dessa data.
Fui para o sul, e por lá fiquei durante dez anos. Voltei para o Rio e sigo tocando, compondo, escrevendo e também as voltas com a T.I.

Elias "El Rock" Chaim segue sua carreira de Engenheiro Naval, e mantem algumas atividades com a música.Depois do Dose Final esteve em diversas bandas como Vid e Sangue Azul, (gravou um LP), Silex (com quem gravou dois cds), Contra Vontade, Damas não pagam, Cláudio Gurgel, entre outros.Durante o período em que estive no sul, ele chegou a me visitar algumas vezes por força do trabalho.Atualmente está casado, tem um filho, mora no Rio de Janeiro, e está gravando material com sua nova banda: "Attude".
De vez em quando nos encontramos em shows de rock, como no Whitesnake e Judas Priest.

Sérgio Gurgel , depois de sua passagem pelo Dose Final, manteve sua participação no Silex até a gravação do primeiro CD da banda.Excelente baixista, ele esteve também tocando com Contra-vontade, além de outros nomes e bandas de rock.
Hoje tornou-se um brilhante advogado e professor, mas não mantem mais nenhuma atividade musical.Casado, pai coruja de um casal de filhos, ele mora no Rio de Janeiro, e na medida do possível temos mantido contato.

Sammy Haua - Esse grande guitarrista infelizmente, vive hoje, longe da música.
Depois do fim do Dose Final, ele ainda fez uma tentativa de remontar a banda com outros integrantes mas não deu certo.
Migrou para o Sul, morando em Curitiba,e seguindo depois para o Paraguai.
Além do talento para música, Sammy tornou-se um expert em computação, tanto em hardware como em desenvolvimento de softwares.
Em 96 quando eu fui para o sul, tive a alegria de reencontrá-lo no litoral do Paraná.
Trabalhamos juntos na área da informática, e escrevemos juntos algumas crônicas e roteiros humorísticos muito engraçados. Foi um período muito divertido, mas sem nenhum contato com música.
Nos fim dos anos 90 ele voltou ao Rio, especificamente para Cabo Frio, e hoje pelo que sei mora em Santa Tereza e trabalha no ramo de antiguidades.
Depois da minha volta ao Rio, foi o único integrante do "Dose Final" com o qual não tive contato.
Sem dúvida alguma um cara que me ensinou muuito sobre o blues e o Rock And Roll.

A gravação do show que hoje completa 20 anos anda circulando pela internet em MP3 bem como os registros do Dose Final em estúdio.
Ainda há uma comunidade no orkut sobre a banda em:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8907245

No meio daquela turma que acompanhava o "Dose Final" em todos os cantos em que tocávamos, havia um menino chamado "Claudinho".
Fã incondicional do "Kiss", ele sabia todas as letras e notas das canções do Dose Final.
O "Claudinho" de quem a gente tanto gostava era irmão do baixista Sérgio Gurgel.
Hoje, vinte anos depois, ele é conhecido como Cláudio Gurgel: Um dos mais talentosos guitarristas e produtores musicais que eu conheço.
É um dos meus grandes parceiros na música, está empenhado na produção do meu CD, e estará também no novo projeto de Guto Goffi, do Barão Vermelho .
Ao ver a carreira daquele "Claudinho", percebo que aquela "Dose" não era a "final"...
Ainda bem!
Um grande abraço para Sammy, Sérgio e Elias!
Long Live to Rock and Roll!!!!!!!

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Poema: Compondo Paredes (Anderson Julio)

O laço no cabelo se abriu
e o vento a brincar
cobriu-lhe o rosto...
E isto posto
o que me restou
além do franzir de testa,
foi fechar os olhos
e imaginar tudo aquilo,
que sempre aniquilo
ao lembrar
dos seus olhos de menina.

Os dias de novembro se vão
e os ventos que murmuro
não te trazem aqui.
Feliz sou eu
que não te tenho,
pois meu querer ferrenho
não te protegeria de mim.

Mantenha-se longe
E o mais distante que possas...
Para que as vontades nossas
possam se esvair enfim.

Em mim,
essa vontade absurda
de viver o que não posso.
E esse desejo que destroço,
se recompõe,
a cada manhã,
a cada canção,
e a cada brisa.

Nesse ofício de poeta,
Ou do cantor de cada tarde,
eu calo a vida que arde...
E vivo... compondo paredes
para te deixar assim...
providencialmente...
longe de mim.


(Publicado em 16/11/2006)

domingo, 12 de novembro de 2006

Poema: Os Amores Que Enfrento (Anderson Julio)

De manhã quando acordo
vejo o quanto transbordo
em todo o meu sentir.

Meu coração passivo
por que não dizer lascivo
mostra o que está por vir.

Amores torrenciais
em uma tarde a mais
como chuvas em mim.

Bocas com ardor
e olhos multicor
nas estórias sem fim.

Enfrento um amor...
um amor antigo
e rente ao perigo
me dou por inteiro,
a esse primeiro.

Enfrento um amor...
que fala em dinheiro...
e que me olha no fundo.
Então me entrego,
a esse segundo.

Enfrento um amor...
que é quase infantil,
e minha mão vil
escreve um roteiro
preciso e certeiro,
e então... me atiro,
a esse terceiro.

Os amores que enfrento
não irão me vencer
pois num dado momento
hão de me esquecer.

Os amores que enfrento
me servem de escudo
me servem de alento
a cada amanhacer... mudo.


(Publicado em 12/11/2006)

sábado, 11 de novembro de 2006

Um novo poeta por favor



Atendendo aos pedidos dos leitores, inclusive os quarentões, publico abaixo a premiada crônica "Um novo poeta por favor!", que escrevi no início de 2005 e que obteve uma grande repercussão aqui na web.

"Um novo poeta por favor!" - Anderson Julio

Sábado passado estive em Vicente de carvalho, bairro do subúrbio carioca onde dizem os especialistas, encontra-se o melhor bolinho de bacalhau do Rio de Janeiro.
Lá estava eu, naquela conhecida adega lusitana que por tradição concentra boêmios de todas as partes da cidade, e traz consigo um clima que une a malemolência do samba e os lamentos do fado.
Numa conversa pra lá de etílica com meu primo Ricardo Julio, me deparo com a conclusão aterradora sobre a ausência de grandes letristas e poetas para a nossa geração pré-quarentona, após as perdas de Renato Russo e Cazuza.
Ricardo inclui neste hall, o "paralâmico" Herbert Viana, como um outro mestre das letras musicadas de nosso tempo. Concordo com ele.
Para melhor exemplificar as características destes poetas oitentistas, propus imaginarmos uma viagem de trem em que, além de nós dois, estariam Herbert, Renato e o nosso exagerado.
Todos em vagões separados e puxados por uma locomotiva que soltaria a sua fumaça pelos ares caminho afora.
Imaginei que, após a partida, Herbert se acomodaria numa poltrona confortável junto à janela, e que de posse de caderno e lápis, anotaria suas observações sobre a paisagem.
Falaria dos alagados, tenderia à lua, e fotografaria com palavras toda as visualizações
e seus personagens, percebidos nos rápidos flashs de vida que corriam diante de seus olhos.
Um excelente retratista.
Ao mesmo tempo, Renato Russo estaria quieto e sozinho numa cabine particular,
e escreveria sobre os medos que sentia sobre o que encontraria na próxima estação.
De como gostaria que a próxima parada fosse marcada pela compreensão entre os homens,
e que o amor pudesse vencer os monstros e as angústias que assombravam as pessoas,
que não percebiam a grandiosidade de uma gota d'água ou de um grão de areia.
Ele, com certeza, pediria um mundo melhor , a começar por pais e filhos
mais compreensíveis e compreensivos.
Neste momento, percebo que a velocidade do trem aumenta, e Cazuza grita e gargalha já abraçado ao maquinista, lhe contando os absurdos da noite na última estação,
e falando dos personagens imaginários que surgiam
nas formas da fumaça liberada pela locomotiva,
e entre mais uma dose e outra, diria que o dia também morre, e é lindo,
como eram lindos os tais moinhos de vento.
Na adega, intermináveis segundos separam a história da viagem do comentário seguinte.
Eu e Ricardo estamos com os olhos marejados, e ante ao ultimo bolinho de bacalhau,
percebemos o quanto nossa geração ficou mutilada dessas linhas geniais.
Tenho o impulso contido de gritar ao garçom:
- Um vinho do Porto e um novo poeta por favor!

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Quitéria Chagas, esse é o nome dela!



A cerca de um ano postei em meu antigo blog, uma crônica sobre a madrinha da bateria da
escola de samba Império Serrano.
Quitéria Chagas... esse é seu nome!
Naquela época eu muito pouco sabia sobre ela. Eu estava completando quarenta anos de idade
e me encotrava simplesmente encantado com aquela morena de tirar o fôlego.
Não que hoje eu esteja menos encantado, muito pelo contrário, pois Quitéria é uma tsunami de encantamentos para pobres mortais como eu.
Por conta de meu trabalho e de uma comunidade no orkut, acabei a conhecendo um pouco mais,
bem como a sua família e seus trabalhos.
Aquele sorriso deslumbrante está mais próximo desse poeta, é verdade,
mas não diminui em nada a admiração que nutro por essa moça que além de bela e talentosa, tem uma alma linda.
Nesse meu blog você pode encontrar uma poesia que fiz para Quitéria Chagas,
chamada "A Cada Maio" e que está nesse link:
http://andersonjulio.blogspot.com/2006/05/cada-maio-anderson-julio.html
Hoje passei por um outdoor na cidade e a ví... linda!
Quase bati o carro... parei o transito.. me xingaram... mas valeu a pena!
Quitéria Chagas hoje está fazendo seu primeiro trabalho como atriz.
Ela é a "Dorinha" na novela das oito, Página da Vida... linda que só!
Então, por causa desse trânsito louco que mal permite que um poeta admire sua musa,
republico a minha crônica de um ano atrás, chamada...
"Quitéria Chagas e o meu carnaval quarentão"
Um beijo e um queijo!


"Quitéria Chagas e o meu carnaval quarentão"

Pois bem, como não tem mais jeito, resolvi relaxar em relação a ser um quarentão, e pela primeira vez, me dedicar integralmente a folia de mômo aqui no Rio de Janeiro.
Desde o inicio do mês tenho feito programas carnavalescos.
Comecei pelas apresentações da GRES Vila Isabel (aquela do bairro do Noel!)
no shopping Nova América e dei largada no meu reinado momesco.
Na quinta dia 23/2, fui ao ensaio geral do Império Serrano, em Madureira,
e como sempre, fui absolutamente bem tratado.
Aliás alí, eles sempre tratam este poeta que vos escreve como um rei.
E aquela bateria gente? O que é aquilo?
Olha tenho andado por ai mas nenhuma bateria me traz o impulso de literalmente "me acabar" como aquela do Império Serrano.
Como se não bastasse ser bem tratado, as pessoas serem tão simpáticas e alegres,
aquela bateria nota 1000, o reencontro de tantos velhos amigos,
o Império Serrano ainda tem uma riqueza deslumbrante que atende pelo nome de...
Quitéria Chagas.
A madrinha de bateria da escola madureirense é simplesmente divinal,
colossal, admirável, irresistível, contagiante,
e tenho a certeza que todos estes adjetivos são poucos para traduzir aquela moça.
Ela definitivamente não faz o tipo "gostosona" de outras madrinhas de bateria do Rio.
Nada tem de parecido com Luanas Piovanis, Carois Castros, Vivianes Araújos,
Lumas de Oliveiras, ou Adrianas Bombons.
Quitéria simplesmente é o que há, com aquele sorriso devastador
e olhar que "vê" os mais secretos cantos da nossa alma.
Ao chegar, devidamente cercada de seguranças,
passou pelos camarotes distribuidos acenos e olhares de simpatia.
No camarote do presidente, ainda comentei com meu amigo Osmar de Paula:
- De que planeta será que ela veio?
Depois de devidamente anunciada, ela seguiu até o espaço destinado a bateria da escola,
e começou aquilo que este pobre poeta classifica como
o "Espetáculo Ritual da Magia de Luz com Requintes de Crueldade".
À frente da bateria, Quitéria consegue inexplicavelmente crescer e brilhar ainda mais,
por mais que isso pareça improvável ou até impossível.
Cada vez que ela abre seus braços parece que os Deuses do Olimpo dão as mãos
e uma luminosidade inacreditável exala daquela mulher que mesmo sem trajes apelativos, prende a atenção de homens, mulheres, crianças, etc.
Ela é simplesmente divina.
Alterna momentos divinais, quando por vezes se parece com uma Deusa Hindu,
outras uma dançarina árabe, hora uma índia, hora a mãe oxum a se banhar na cachoeira.
Seus braços parecem estender até o infinito,
e serem os elos de ligação com o astral superior, com o cosmo, com a fonte da vida...
por fim... ela é mesmo divinal!
A conheci no ano passado quando o Império Serrano
recebeu uma comitiva de Ministros dos Esportes dos países da América Latina.
Naquela oportunidade, lembro que ela quebrou o salto de sua sandália,
e ofereceu aquele pé lindo a um passista para que lhe tirasse o calçado
e lhe deixasse sambar descalça.
Recordo que o ministro Agnelo Queiróz, olhava a cena como que petrificado,
tal a doçura dos movimentos de Quitéria.
Tenho certeza que o ministro gostaria de tirar aquela sandália dos pés da musa....
Ah... e eu também!
Mas voltando ao presente, na última quinta feira,
depois de brindar toda a família imperiana com sua magia e graça,
Quitéria foi aos camarotes abraçar a cada convidado da escola.
Ao me reencontrar, abraçou-me com graciosidade, comentou o fato
de eu ter cortado meus longos cabelos (agora sou carequinha!)
e falou de sua ansiedade para a hora do desfile.
Tiramos algumas fotos, e depois ela se foi, a encantar todos os outros camarotes.
Fiquei parado, inerte e mudo por algum tempo.
Já de madrugada, ao sair da quadra imperiana, percebo que ela está ao meu lado,
também indo embora.
Um táxi a esperava de portas abertas.
Ela entra e ainda tem tempo de dizer "tchau" e dar adeus a esse pobre poeta...
Lá foi Quitéria de volta ao seu pantheon sagrado.
Fui para casa com uma estranha intuição que um dia escreverei um romance chamado "O poeta e a Passista"...
No dia seguinte, sentado a beira da cama penso em quantas linhas já escrevi para
Luanas Piovanis, Carois Castros, etc, e me pergunto:
O que fazer desta vida sem Quitéria Chagas?

(Publicado em 25/02/2006)

sábado, 4 de novembro de 2006

Sobre Leonardo Mendonça


(Anderson Julio e Leonardo Mendonça - Foto: Robson Bolsoni)

Estes dias estava a lembrar de uma frase do amigo escritor
e autor teatral Leonardo Mendonça que disse:
"Se pensássemos na vida como uma carga de caneta,
deixaríamos algo de bom antes de começar a falhar".
Confesso que tenho pensado muito nisso ultimamente.
Quanto a Leonardo Mendonça, por conta do lançamento de seu livro

"A Chuva de Ontem" no mercado latino, atualmente passa uma temporada na Argentina.
Vale a pena também conferir o seu livro de estréia "Urro" de 2000,

um balaio de contos e fragmentos interessantíssimos.

Abaixo, segue um de seus poemas que mais aprecio.

Virando Ponto (Leonardo Mendonça)

Lá estamos nós - procurando.
Em fila.
Acordados.
Cansados.
Tapando sol - esperando.

Pra lembrar quem somos procuramos medalhas pra pendurar no pescoço.
Tiramos foto só-rindo.
Mudamos o penteado.

Pra dormir, viramos de bruço.
Mentimos.
Mudamos de lado.

Pra saber realmente que é tem que virar do avesso.
Tem que virar verso.
Palavra.
Ponto.

Caminhar, sem esperar.
Caminar, sem promesas.
E se deixar molhar,
debaixo da chuva de milagres.

Esquecido na Gaveta... Poema: Grumari

Estes dias futucando uma velha gaveta encontrei este pequeno poema escrito no verão de 2005, e que fala daquele pedacinho do paraíso perdido no Rio de Janeiro...

Grumari (Anderson Julio)

Grumari...
te vi alí...
meio que virginal
e o anormal que sou
ainda reclama da vida
teme a morte
ou o que o valha...
Navalha perfeita
da cidade desfeita...
O que ainda resta
de maravilhoso no Rio
Está em tí...
grumari!
Fique ai...
Não saia daí...
Fique assim quietinho...
Que ninguém há de te molestar...
Mas se o fizerem
me chame...
me grite...
que eu volto aqui...
Grumari!

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Eu, Priscila Andrade, Robson Bolsoni e a doçura do caos



Há algum tempo eu e a poetisa Priscila Andrade planejavamos nos encontrar outra vez.
Assim poderíamos destilar venenos, exorcizar demônios e até falar de poesia - a contragosto.
Mas sempre arrumávamos uma desculpa e o encontro não acontecia.
Ontem porém, resolvemos priorizar o caos e marcamos o famigerado reencontro no centro do Rio, mais precisamente ali perto do Cine Odeon, na Cinelândia.
De comum acordo optamos por levar uma outra pessoa: o cineasta e fotógrafo Robson Bolsoni.
Assim, confortavelmente acomodada num bar sofrível, essa tríade bradou e gargalhou por horas sobre poesia (ninguém é perfeito!), sexo, amor, traição e dinheiro.
Robson Bolsoni é um jovem corajoso, em ebulição, e segundo Priscila, muito "gostosinho". Priscila Andrade é uma mulher muito talentosa, direta, politicamente incorreta e interessante.
Ela lembra que a pouco tempo, nós fomos "acusados" de termos um romance, o que nunca ocorreu! Pelo menos ninguém lembra disso ter ocorrido! Uma calúnia!! rs...
A conversa ia fluindo razoavelmente bem, entre pasteizinhos de conteúdo impublicável, baratas simpáticas, conhaques honestos, chopp de caráter discutível e salutares cervejas "Caracú"!
Sim, cerveja "Caracú", porque nosso jovem cineasta é um homem muito macho, pô!
E macho que é macho mesmo, toma "Caracú" com vidro!
Pois é, e nosso amigo cineasta e gostosinho assim o fez. Ao abrir a garrafa de cerveja o garçon não percebe que o gargalo quebrou e que um pedaço de vidro caiu no copo de Bolsoni.
Ele bebe, mastiga o objeto estranho, e diz estupefato: Cacete olha isso!
A boca sangra. O garçon diz: "É... de vez em quando isso acontece... (?!) ...
Simplesmente surreal!
Priscila num ato quase heróico entrega seu copo de conhaque e berra:
- Toma tudo, anda! Toma tudo e agora.
Pensei: Cicatrizante? Anestésico? Anti-bactericida?Anti- acido? Anti-coagulante? Hummm...
Bom, muito do que se bebe hoje em dia, no início era usado como remédio, vide bula, quer dizer, vide a historia do gim.
Cortou? Sangrou? Já sabe: "Caracú" com "Domeq"!
Eis que de uma hora para a outra uma sirene começa a soar alto dentro do bar.
Percebemos então que todas as mesas ao redor foram guardadas, o chão varrido, e os funcionários do bar de "mãos nas cadeiras" nos olhavam como que perguntassem:
- Os artistas aí vão demorar muito tempo para irem embora?
Pensei em falar com o gerente, mas não deu tempo, pois Priscila Andrade em outro rompante chama até nossa mesa o quase simpático "Otenildes" (sim, o nome é esse mesmo!).
- Tá vendo este conhaque? Só vou embora depois de acabar o último gole - brada ela, ávida por seleuma de maior proporção!
Coitado do Otenildes. Cansado de sua árdua tarefa de trabalhar naquele dia de finados, ainda tem que "aturar" esses três insuportáveis que não têm nada mais o que fazer!
Depois de muito resmungar decidimos ir embora. Destino: a casa de Priscila.
No meio do caminho resolvemos não ir, pois no dia seguinte bem cedo, eu e Robson teríamos que dar continuidade ao projeto "Quadra a Quadro".
Priscila se rebela, e nos chama de "bundões".
em retaliação nos mandamos para a Lapa afim de desova-la.
Entre abraços e xingamentos nos despedimos carinhosamente, e marcamos de nunca mais nos encontrar, pelo menos naquele barzinho execrável!
Priscila fica na Lapa, eu e Bolsoni como sempre nos perdemos e fomos parar em Copacabana.
Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra, etc. Aí já viu...
Outras paradas, outras histórias, outras bizarrices e outras poesias.
Só faltou Priscila Andrade, mas ela deve ter se divertido também.
Mas isso você talvez só saiba lá no blog dela
http://dedodemoca.blogspot.com

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Poema: Delírio (Anderson Julio)

Ao te ver andar
naquela outra calçada,
minha vida descompassada,
louca e confusa
se atira do meio fio
e cruza
as avenidas...
os sentidos...
e as verdades malditas
de que já não me fitas.

Nem os apelos infindos
dessas tardes paulistanas
de venturas insanas,
não te convencem mais
de que vale a pena,
ou de que a vida em cena
não se repete agora,
quando você chora.

Ao te ver seguir
sem olhar pra trás,
eu grito contumaz,
e quase choro,
pela musa que adoro,
pela chance que imploro,
pelo derramar do leite,
e pelo deleite,
pelo martírio
em forma de delírio
que me faz...
te querer assim...
e ainda...
acreditar.


(Publicado em 20/10/2006)

sábado, 14 de outubro de 2006

Poema: Forma de Ilusão (Anderson Julio)

(Dedicada a Dudu Sanches e Sônia Klein)


Todo o movimento
Que faço a cada curva
Todo o sortimento
Que trago a cada hora
Todo o acalento
Que do nada evapora
Todo o sofrimento
Que faz a tarde turva

Toda a maresia
Que umedece a janela
Toda essa fobia
Que meu sorriso estanca
Toda a histeria
Que minha alma tranca
Toda a sinfonia
Que emudece essa cela

Nada vinga
Nada floresce
Nada é suficiente
Para que me olhes aqui

Nem a ginga
Nem a prece
Nem o meu ar demente
Me traz um pouco de ti

Beijos sem direção
Dias em convulsão
Todos na contramão
Um mundo chamado “vazio”

Noites com jeito sombrio
Sexo sem nenhum arrepio
Outro bule de café frio
E você em forma de ilusão.

(Dedicada a Dudu Sanches e Sônia Klein)


Publicado em 14/10/2006

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Poema: Calibre (Anderson Julio)

Devastador!
Assim concluo
o ferimento que possuo...
nas entranhas dos meus medos,
nas esquinas dos enredos
que invento com a dor.

Imaginável...
O amor puro...potável...
Que brota ao longo do tempo...
e que gira ao gosto do vento
a cada vez
que me permites... outra vez...
te ter aqui.

Inebriante...
Tua boca colante
maior do que a minha
no breu da cozinha
a me afogar em lembranças
e na ginga das danças
que nunca tivemos.

Inatingível...
O amor preservado
no tempo roubado.
O olhar que diz tudo
E o sorriso mudo
Da vida tão nossa
Que sempre se esboça...
A cada toque...
A cada pausa...

Inconseqüente...
O pulo do muro...
O beijo no escuro...
A cada encontro
E tudo que vem...
E tudo que vai...
E tudo que inibe...
Esse amor
de grosso calibre
que mata e renasce...
no teu olhar verde
e nesse meu mundo...tão teu!

(Publicado em 05/09/2006)

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Poema: A Tua Espera (Anderson Julio)

Em mim um vácuo...
inócuo...
da saudade dura
que me corrói.
E o que dói
é a resposta
de minha solidão
na mesa posta
que arde,
que invade,
e que no fim,
junto com o gim
me destrói.
Ah dor infinda
da falta que fazes!
E ao fazer as pazes
com a esperança
minha alma
te alcança
e se ajoelha
diante de tua boca
vermelha,
e pede compaixão.
Vem agora
porque a manhã adora
te ver aqui
junto aos meus quadris.
E como diz
o poeta infeliz:
me salve,
me queira,
do Leblon
à Madureira,
porque a fogueira
que há em mim
não se apaga.
E que ela te traga
quando me olhas assim.
As horas morrem
e me socorrem
nessa cratera
do meu peito
a tua espera.

(Publicado em 31/08/2006)