quinta-feira, 5 de abril de 2007

Os Fantasmas de Ti

Penso em ti...

Pé ante pé

na cozinha.

Tua coxa

junto da minha...

Nós dois assim

“de conchinha”...

Mas não...

Olho a porta...

e quem ali aporta

são os fantasmas de ti.

Entre um café e outro

eles sempre voltam aqui.

Gargalham e zombam

desse meu fingir

não mais te querer.

No vazio do meu riso

ainda te exorcizo,

disfarçando medo

nesse engano ledo.

Os vultos teus na sala

são os anfitriões

dessas madrugadas

de tantos senões.

Minhas canções mudas

são a trilha perfeita

da verdade refeita

de não te esquecer.

Lá vem eles...

Os fantasmas de ti

que fazem a festa.

E o que me resta?

Enfrentar

meu coração bandido

ou me dar por vencido?



(Publicado em 04/04/2007)

segunda-feira, 26 de março de 2007

Outono (Anderson Julio Lobone)

(Para Renata Stuart)


Quando dei por mim
já era outono
e a noite sem sono
denunciava
o que estava por vir.
As folhas secas
que vi na manhã
traziam... além do afã
de te ver de novo,
o medo do lago da vida
e de olhar no espelho
e te ver em mim refletida.
Em cada manhã repetida
aparei cada aresta
e a espera da outra festa
colecionei desejos.
Mas tuas mãos em outras
que não as minhas,
foram brisa leve
em minhas linhas...
que adormeceram...
enfim.
Quando teu sorriso
outra vez passar por mim,
quem sabe a minha poesia
não rascunhe um outro fim?


(Publicado em 25/03/2007)

sexta-feira, 23 de março de 2007

Império Serrano: 60 Anos













Império Serrano, berço do samba carioca. Parabéns!

terça-feira, 20 de março de 2007

A Espera (Anderson Julio Lobone)

Guardanapos rabiscados...
Assim são as receitas perfeitas
para que eu não erre amanhã,
quando eu for buscar
o que é meu por direito
e o que me diz respeito.

Chuva da manhã...
É o cálice que trasborda
com a última gota de suor
que por hora nasce
e despenca dessa face
talhada pelo tempo.

Lembrar de você...
É o gozo perfeito
na dança das coisas
que movem o meu ser.

Ante ao parapeito da varanda
vejo a enorme ciranda
que se forma em mim,
e que assim torna
a esperança algo sem fim.


(Publicado em 19/03/2007)

quarta-feira, 14 de março de 2007

Na mesma calçada

Se o dia não nascer

é porque essa madrugada

é pouca para o sonho

de viver o que é nosso.

São anos perdidos

em outras bocas

e um futuro escolhido

em outros caminhos.

É a regra maldita

da nossa vida que imita

as dores do mundo

e o outro segundo

que vem sem você.

Se a vida reclama,

tua cama me chama,

e em tua seda pura

de gozo e ternura

tu se desnudas sem preço

como só eu conheço.

E depois,

da verdade gemida

voltamos ao “cover” da vida

que vivemos por nada,

numa pausa forçada

do olhar sem fim.

Mas cada brisa soprada

e cada canção tocada,

hão de nos deixar

essa certeza de estar

para sempre...

na mesma calçada.

(Publicado em 14/03/2007)

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dia Internacional da Mulher

.
.
.
Eu teria dado muito mais que a minha costela para tê-las aqui para sempre... Parabéns!

.


.

.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Matizes (Anderson Julio)

Deslizei

meus lábios por teus ombros,

e entre uma pausa e outra

do teu respirar,

imaginei tua boca

a me dizer as coisas

que não esqueço

a cada noite...

a cada vento...

a cada lua...

E ao despencar

do precipício dos seios

alojei-me em teu umbigo

e pensei comigo,

nas adjacências

e nessa dependência

doce e mortal

de tuas coxas.

Ao fim ,

me atiro aos teus pés

e, no provável viés

de nos repetir,

te olho enamorado

e logo sou tragado

outra vez

sem piedade

pelo teu cheiro,

pela tua boca

e pelo teu riso.

Imprevisível e preciso,

o universo que pintas

com suores e tintas....

Em tudo o que dizes...

Em tantos matizes...

Ou na pura nuance

de nosso romance.


(Publicado em 05/03/2007)

sábado, 3 de março de 2007

Zico - 54 Anos

ZICO...
HONRA E GLÓRIA DA NAÇÃO RUBRO-NEGRA!!!



............................................VALEU GALINHO, PARABÉNS!














.
.
.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Recomeço (Anderson Julio)

As camisas novas

e as canções do carro

já fazem efeito no mundo,

e em apenas um segundo

todo o meu bairro

percebe que não sou o mesmo.

E ao me observar andando a esmo

notam que uma nova paixão

aportou junto à minha alma.

Os medos famosos

e os dias tão ardilosos

já perderam espaço.

E assim, meu traço

que antes era quimera

avisa que agora impera

a nova ordem do amor

que aqui se aloja.

E com um “que”

de quem se despoja

sigo ao encontro

de um outro recomeço.

Foi te vendo cruzar as tardes

que me tornei incauto.

E num tom mais alto

e com riso debochado,

cantei aquela canção

que falava da solidão

que não ia embora,

e que agora

no cerrar da hora,

enfim, me deixa.



(Publicado em 01/03/2007)

quinta-feira, 1 de março de 2007

Rio de Janeiro: 442 Anos

.
.
.

Ah! meu Rio de Janeiro... como eu te amo!

.
.
.
.
.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Vida Virtual?



"A vida virtual é um baile de máscaras que não acaba"
(Anderson Julio)







(Publicado em 15/02/2007)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

João Hélio... blog de luto!












Que não percamos a capacidade de nos indignar.

-
-
-
-
-
-
-

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Contradição (Anderson Julio)


Andei em círculos
por um tempo
que não contei.
E por medo,
não disse
sobre os enganos
nem sobre
todos os planos
que fiz, refiz...
e infeliz,
guardei no meu
quarto escuro.
Entrei em contradição,
eu sei.
Mas melhor
que seguir sem voz
ante a tanto nós,
nesse emaranhado
de sentimentos
e poesia morta.
Mas já não importa
os papéis amarelados,
os rascunhos de vida
e a razão combalida
que ficaram para trás.
Sobrou enfim,
o meu desejo
de seguir sozinho,
e de falar da chuva
que cai no horizonte,
bem aqui de fronte
dessas flores
fartas, multicores...
que ainda nascem em mim.


(Publicado em 15/01/2007)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Entrevista ao Jornal Conexão Cultura

LITERATURA VITUAL: POESIA E SUCESSO NA REDE

Numa época em que a internet oferece ao mundo grandes dúvidas quanto aos caminhos a serem trilhados pela indústria fonográfica e pelo mercado editorial, uma avalanche de autores tem se destacado com a publicação de suas obras na rede mundial de computadores. Sem terem lançado um livro sequer, esses poetas, romancistas e letristas ocupam um espaço nunca imaginado entre os aficionados pela leitura que, por comodidade, preferem a pesquisa no computador, a uma visita a uma livraria.
Nesse novo panteão de “escritores sem livro”, podemos destacar o poeta
carioca Anderson Julio, que em 2006 viu seu trabalho cair nas graças de leitores virtuais de todo país e inclusive de Portugal.
Por telefone ele conversou com a repórter Carina Santoro, ele falou da atual cena literária e sobre a sua relação com esse “universo virtual.”

Conexão Cultura: Como você avalia essa “descoberta” do seu trabalho na internet, depois de mais de 20 anos escrevendo?
Anderson Julio: (risos)...Coisas do mundo moderno... (risos). Mas antes tarde do que nunca. Na realidade eu nem tinha a intenção de me valer da internet para isso, mas no fim de 2005 vi que algumas pessoas colocavam poemas meus em suas páginas pessoais, em blogs e no orkut. Achei aquilo muito estranho, mas incentivado por alguns amigos e outros escritores, resolvi postar alguns dos meus textos na web e aí as coisas realmente começaram a acontecer.Quando vi já tinha até comunidade no orkut discutindo a minha obra...(risos).
Conexão Cultura: Como você define a atual cena literária no país?Acha que por conta da internet haverão mudanças significativas no mercado editorial como já acontece no mercado fonográfico?
Anderson Julio: Olha a cena atual é muito profícua. Tem gente de muito talento em todos os cantos do país, haja visto o que pode ser encontrado no Recanto das Letras (N.editor: Portal de internet dedicado à literatura e aos novos autores). Mas talvez o que mais seja significativo é a grande quantidade de pessoas que começam a bancar o seu sonho de editar um livro. Já existem pequenas soluções para quem quer fazer uma edição pequena com um preço razoável.Acho que na realidade isso tudo, somado à internet, e em especial os “e-books”, vão provocar uma reviravolta no mercado, mas ainda vai demorar, ao contrário do mercado fonográfico, em que a gente percebe que os cds estão com seus dias contados. Ainda há muito espaço para o livro no formato atual, ainda mais porque o brasileiro ainda lê muito pouco.
Conexão Cultura: Isso quer dizer que você pretende ignorar as editoras e partir para uma produção independente?
Anderson Julio: De maneira alguma. Estou em conversação com algumas editoras daqui e de Portugal, porém, caso nada aconteça, posso pensar na hipótese de produzir o meu primeiro livro através de algumas parcerias que me foram oferecidas.Nesse caso, o mais difícil é a questão da distribuição, um tormento para quem produz seus livros.
Conexão Cultura: Seu trabalho recebe elogios de boa parte da crítica e inclusive de alguns dos mais respeitados poetas da atualidade. O que você acha disso?
Anderson Julio: Quanto aos elogios, é o resultado da minha determinação em expor da maneira mais intensa as coisas que eu vivo, sinto e acredito.Se eles tocam as pessoas é sinal que eu fui feliz na minha empreitada. Minha poesia tem simplicidade e intensidade. E isso deve justificar as manifestações positivas. É sinal que eu consegui tocar as pessoas.Outro dia estive com o nosso grande poeta Thiago de Mello, e ele me disse: “Eu escrevo apenas poemas.Se vão achar alguma poesia neles é uma outra história.” É mais ou menos por ai! (risos)...
Conexão Cultura: Fale de seu encontro com Thiago de Mello...
Anderson Julio: Foi realmente fantástico. Eu estava no evento “Poesia Voa” no Circo Voador aqui no Rio de Janeiro. Ele me foi apresentado por amigos que temos em comum.Uma figura ímpar, que além de representar o melhor da poesia feita nas últimas décadas, é um homem de rara sensibilidade. Conversamos sobre poesia, as coisas da mata e até sobre Fidel Castro. Depois de conhecer Carlos Drummond de Andrade, este foi sem dúvida um dos mais fantásticos encontros que eu vivi.Como eu disse outro dia, Thiago de Mello é um homem que vem e vai. Todo vestido de branco, todo lindo e todo poesia.
Conexão Cultura: Você terminou um romance que está sendo aguardado com ansiedade por quem acompanha seu trabalho: Universo Paralelo. E atualmente, você já está trabalhando em um outro romance, ou anda se ocupando com crônicas e poesias? O que lhe dá mais prazer de fazer?
Anderson Julio: Não tenho uma rotina estabelecida e nem preferência.Depois de três anos dedicados ao “Universo Paralelo”, estou as voltas com a idéia de um novo romance chamado “Não Amava Ninguém”, porém, ainda é um projeto embrionário.Quanto às crônicas eu continuo escrevendo para os jornais onde ainda mantenho colunas fixas. Mas as poesias, ou melhor, os poemas (como diria Thiago de Mello) eu tenho produzido muitos, bem como as letras de músicas que algumas pessoas me pedem.No final, tudo isso me dá um enorme prazer.
Conexão Cultura: E o que você tem lido de interessante em termos de novos escritores?O que você tem lido ultimamente?
Anderson Julio: Dos livros que li recentemente posso destacar “O Ano da Seca” e “As Marés Bruxas” do romancista catalão Victor Álamo de La Rosa, que é excelente e teve o primeiro prefaciado por José Saramago. Por aqui li “Urro” e “A chuva de Ontem” de Leonardo Mendonça, sendo que o último foi lançado para o mercado latino. Na internet eu tenho visto poetas interessantíssimos que tem me agradado muito. Posso citar a Priscila Andrade e Cristina Nunes que conheci a pouco no Recanto das Letras.
Conexão Cultura: Anos a trás você disse numa entrevista que poetas quando se encontram, aprontam. Com que poetas você tem se encontrado e aprontado?
Anderson Julio: Olha que isso pode me comprometer hein? (Risos)... Eu posso dizer é que tenho conversado com gente muito interessante. Mas confesso que os meus duetos com a escritora Alma Welt tem sido divertidíssimos. Um verdadeiro “Duelo de Sonetos”.Nos encontramos na internet e trocamos comentários a respeito das obras de ambos. Depois disso, passamos a duelar empunhando versos. Uma alegria enorme para mim, pois ela é muito talentosa e bem humorada. O que nós aprontamos tem sido publicado nas páginas de ambos no Recanto das Letras.Além disso tenho trocado impressões a cerca das coisas do mundo com alguns poetas de Portugal.
Conexão Cultura: Pra terminar, o que você diria pra alguém que escreve e que quer divulgar seus escritos para o mundo?
Anderson Julio: Só tem um caminho: a internet. Diria para estas pessoas passarem seus textos para o micro e se cadastrarem nos portais de literatura, como o Autores.com, Usina das Palavras, e em especial o Recanto da Letras que disparado tem a melhor estrutura e melhor interface.Além disso, você pode ter a avaliação de outros escritores que podem te ajudar muito.
Conexão Cultura: Uma última frase para definir Anderson Julio...
Anderson Julio: Continuo com os versos de Cecília Meireles: “Não sou alegre e nem sou triste. Sou poeta!”

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Meu dueto com Alma Welt

Atualmente estou envolto em uma gostosa ciranda que se iniciou nos primeiros dias de 2007.
Um delicioso dueto com a misteriosa (ninguém sabe quem ela é, e nem mesmo se ela o é! rsrs) escritora e poetisa Alma Welt,.
Nossa troca de sonetos está sempre atualizada no meu site no Recanto Das Letras.
Para conferir o que temos aprontado é só visitar o endereço abaixo:

http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=340377


-----------------------------------------------------------------------------

domingo, 7 de janeiro de 2007

Fina moldura (Anderson Julio)

Olha a tarde!
Por mais que eu queira,
não haverá outra maneira
que não seja ser feliz.
Tua boca entre aberta
é o fim da superfície deserta
em que andei até aqui.
Vem!
Me diz o queres
e faz o que bem quiseres
do sol que cai.
Porque ele ainda vai
se encontrar com a lua,
onde assim flutua
no horizonte pintado
em cor de ternura,
e com fina moldura
a cercar tua doçura.
O perfeito se avizinha
com a tua pele
junto da minha.
Minhas mãos sem calos
a dançar em tuas costas,
e minhas propostas
nos doces resvalos
de tuas respostas.
A tarde vai
como que numa redoma
e a noite vem
e traz teu aroma.



(Publicado em 07/01/2007)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

O Fim (Anderson Julio)

Quando chegou
mudou todos os dias
e trocou todas as vias.
Me deu a mão macia
e o direito de viver o sonho
que já se esvaía.

Quando chegou
não pediu licença.
ditou a sentença,
de que eu poderia,
à sua revelia,
viver o que havia
além da janela sombria.

Quando chegou
me trouxe de volta,
como que em escolta,
o verde de antes
no olhar galante...
perfeito... ungido...
Outrora exultante,
enfim,
me dei por vencido.

Quando chegou
doou carícias ternas,
prendeu minhas pernas,
e a boca navegante
se entreabriu ofegante
junto com a minha
marejada e sozinha
até sua chegada
com a pele suada
e ali ancorada.

E agora que vais
rumo ao nunca mais,
leva contigo minha alma
agora já tão calma.
Eu estarei tatuado
por dentro e por fora...
Como que se enraizado...
Depois... como agora.
Leva pela vida afora
o que um dia me deste,
sob a lua mais linda
da Praia de Leste.

( Publicada em 27/12/06)

domingo, 24 de dezembro de 2006

Sobre o Natal e o AnoNovo

Pois é...
Ontem estava pensando em como, nesta época do ano, a gente invariavelmente
se torna mais tolerante, amável, carinhoso, paciente e "gente boa".
Passamos a ter mais facilidade de digerir as dificuldades, as ausências, os imprevistos
e principalmente os "defeitos do outro".
Nessa época em que comemoramos a esperança, seja pelo nascimento do nazareno
ou pela expectativa de um ano melhor, passamos boa parte do tempo com um sorriso
estampado no rosto, e com os braços prontos para envolverem quem cruze o nosso caminho.
Pensei em como seria bom, se derepente a gente não deixasse mais esses "sentimentos de dezembro" (tolerância, amabilidade, capacidade de perdoar, paciência e bom humor)
sair de dentro de nós.
Ficaria proibido todo e qualquer tipo mau humor, estresse, impaciência e intolerância.
Os abraços seriam para sempre, beijo na boca então ... nem se fala.
Aquele vizinho "mala" seria encarado como alguem que precisa de um abraço,
e aquele outro que vc nem gosta de pronunciar o nome, seria considerado como uma
pessoa que precisa de um pouco mais de atenção e afeto.
Essa energia e paz estariam impregnando todo mundo, e aí, a vida seria muito mais fácil.
Então, está decidido: a energia "dezembrina" nunca mais sai de dentro de mim!
E eu sinceramente, desejo que neste Natal vc também radicalize e a mantenha dentro de ti.
Porque assim, "o feliz ano novo" já estará garantido.
E para sempre.
Um beijo de luz no coração de vocês!

sábado, 9 de dezembro de 2006

Thiago de Mello

Na adolescência tive a fantástica experiência de encontrar um dos meus maiores ídolos.
Frente a frente com Carlos Drummond de Andrade, ficava a me perguntar como aquele homem com jeito de bancário poderia escrever coisas tão fabulosas. E ainda tinha aquela história da pedra que estava no caminho. Foram momentos que eu não esqueci.
Ontem, eis que o destino me reservou uma outra emoção.
Quando cheguei pela manhã ao evento "Poesia Voa" no Circo Voador, eu sentia um frio no estômago. Sabia que finalmente eu encontraria um outro ídolo.
O evento realizado pelos grandes poetas Bruno Cattoni e Tavinho Paes, era parte das comemorações cariocas pelos 58 anos da Declaração dos Direitos Humanos.
Olhei o circo voador. Mesmo totalmente diferente do que era nos anos 80, ainda consegui me lembrar de momentos memoráveis que vivi ali, no palco e na plateia.
Num determinado momento Thiago de Mello chega.
Todo de branco... todo lindo... todo poesia.
Abraça parentes, amigos, fãs e numa primeira frase me diz:
- Me dê seu livro poeta, quero ver tua poesia.
- Só ano que vem poeta, o livro sai no ano que vem - respondi atônito.
Somos interrompidos por uma fã que diz ser uma emoção encontrar o "nosso poeta maior".
Thiago sorri e lhe pergunta:
- Já inventaram fita metrica para medir poetas? Como se mede poesia?Tem poeta menor?
Atende a todos com educação e atenção.
Vira-se para mim e diz:
- Pegue uma cadeira e sente-se aqui ao meu lado.
Obedeci, claro.
- Você também vai declamar seus poemas aqui hoje? - perguntou.
- Não, não, eu basicamente vim aqui por causa do senhor - respondi.
- O único senhor aqui é o senhor Jesus Cristo. Me chame de você porque nós somos é companheiros de ofício - reclamou.
Continuei obedecendo.
Falou que a sua "Barreirinha" ainda não afundou e nem foi queimada.
Contou sobre sua passagem por Cuba, e o que sentiu ao ver que o imperialismo americano não terá vez na ilha, mesmo após a partida de Fidel.
Depois, já no palco, declamou alguns de seus poemas, e encerrou sua apresentação, devidamente acompanhado ao piano pelo Duo Gismonte (formado pelas filhas de Egberto) declamando os "Estatutos do Homem".
Como a maioria ali, me emocionei e chorei muito.
Assistimos um trecho que um documentário sobre a amazônia, que tras declarações do poeta em seu recanto.
Ao fim, prometi-lhe enviar um e-mail contendo links dos meus escritos publicados na internet.
- Faça isso poeta, por favor... quero ler você... - respondeu antes de ir.

Que os Deuses da Floresta guardem por muito mais tempo este nosso poeta e pensador que segue pelo mundo todo de branco... todo lindo... todo poesia.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Mantra (Anderson Julio)

A repetir palavras
A repetir teu nome
A repetir teus gestos
A copiar teus sonhos

A dançar para ti
A cantar para a lua
A fugir de casa
A te ter em mim

A mudar de rua
A falar da vida
A sorrir sozinho
A sentir arrepio

A olhar o mar
A ser feliz aqui
A beber na fonte
A orar para o céu

A dormir mais tarde
A viver os desejos
A ser o sol que arde
A ter os teus beijos

A amanhecer assim
No que tua boca canta
e a se repetir em mim
Assim...
como um mantra.




(Publicado em 29/11/2006)